Na semana passada, notícias veiculadas na imprensa local destacaram uma compra de mobílias feita pela CODESAIMA. Este interesse por um fato corriqueiro para uma Empresa do porte da Codesaima, que atualmente tem capacidade financeira de suprir algumas necessidades de aquisição de material, serviu como uma oportunidade para expor o estado de abandono que, por anos, a Companhia passou.

Uma matéria apresentada num telejornal local questionava o fato da compra de R$ 430 mil ter sido feita num momento de dificuldades financeiras em que seus funcionários estariam com o salário atrasado.

De imediato a gestão interventora tratou de esclarecer em uma nota expedida, direcionada à população do Estado e assinada pelo diretor- presidente interventor judicial, Diego Bezerra, que o total utilizado para a aquisição da mobília foi de R$ 223 mil, pouco mais da metade do que foi divulgado.

Na verdade, foi feita a licitação para este fim com a previsão de gastos de R$ 430 mil, mas o total utilizado e que atendeu as necessidades da Companhia foi de R$ 223 mil. Este valor foi proveniente das receitas da Codesaima, não houve, neste caso, a aplicação de recursos do Estado.

Quanto ao fato dos salários atrasados, ficou explicado que a intervenção por qual passa a Codesaima é um processo de ordem judicial trabalhista, cujo o principal objetivo é o “saneamento dos recursos humanos e administrativos”, como diz a nota. As primeiras medidas da gestão interventora foram a normalização do pagamento dos salários, que estavam atrasados há três meses e a demissão de cargos comissionados contratados de maneira irregular.

Desde agosto de 2018, ao contrário da maioria dos servidores públicos do Estado, os funcionários da Codesaima recebem seus vencimentos em dia e foram demitidos mais de 200 cargos comissionados, o que representará uma economia de gastos na ordem de R$1.200 milhão por mês. Este montante daria para pagar pelo menos cinco vezes o valor gasto com as mobílias.

A equipe de reportagem que abordou o assunto dos móveis, foi convidada a conhecer a maneira de degradação que a gestão interventora encontrou na sede da Empresa, situada na avenida Mário Homem de Melo, no bairro Mecejana. Foram verificados: paredes mofadas; infiltrações; estruturas rachadas; fiações em más condições, que apresentam riscos de incêndios; salas insalubres para o trabalho diário; móveis quebrados; entre outros problemas que impediam a continuação das atividades naquele prédio. Um laudo do Corpo de Bombeiros de 2016 já pontuava estes problemas, mas desde esta época nada foi feito para melhorar as condições de trabalho do local.

Em vista disso, a Codesaima mudou sua sede para um prédio alugado na avenida Ville Roy, no bairro Aparecida. Esta é a razão da compra do mobiliário porque era impraticável utilizar os móveis danificados e de uso comprometido da antiga sede. Esta transferência tem o objetivo de melhorar a produtividade com um ambiente mais adequado para as atividades laborais.

A questão do individamento da Codesaima que está na ordem de R$175 milhões, também foi destacada por matérias jornalísticas. Estas pendências com vários órgãos federais, estaduais e municipais foram acumuladas por décadas e negligenciadas pelas gestões anteriores.

A intervenção, mesmo não tendo o compromisso de sanar as dívidas nos 180 dias estipulados para atuar na Codesaima, irá apresentar um plano de gestão que explorem o potencial reprimido da Empresa que possui unidades com relevância para a economia do Estado.

Com um quadro de funcionários enxuto com 280 funcionários sendo apenas 28 cargos comissionados e o restante de aprovados nos concursos públicos de 2004 e 2017 e, principalmente, sem o viés político que causou desequilíbrio administrativo e financeiro, a Codesaima ainda pode resgatar o seu objetivo de contribuir para que Roraima tenha uma economia sólida.

 

Marco Aurelio Rodrigues 

Divisão de Comunicação da Codesaima