o presidente Anastase Vaptistis falou aos deputados

Na manhã desta quinta-feira, 09, o presidente da CODESAIMA (Companhia de Desenvolvimento de Roraima), Anastase Vaptistis Papoortzis compareceu à ALE-RR (Assembléia Legislativa de Roraima) para prestar esclarecimentos aos deputados estaduais.

A Comissão Externa formada por Nilton da Simpol (PATRIOTA), Renan Filho (PRB), Coronel Chagas (PRTB), Aurelina Medeiros (PODEMOS), Soldado Sampaio (PC do B) e Chico Mozart (PRP) pediu informações do presidente sobre a atual situação financeira da Empresa e da demissão de 88 funcionários do Mafir (Matadouro e Frigorífico Industrial de Roraima).

A sessão, iniciada no Plenário, teve que ser transferida para uma sala reservada por causa da manifestação de um grupo representando os ex-servidores que dificultavam o andamento dos trabalhos.

Ao presidente Anastase foi solicitada uma série de documentos com dados sobre salários de servidores, quantidade de funcionários, despesas da Empresa, entre outras informações.

Na reunião, os deputados quiseram saber as razões que levaram à exoneração dos servidores do Mafir e a possibilidade desta decisão ser revista.

Anastase esclareceu que a atual gestão da CODESAIMA assumiu no dia 23 de fevereiro e, desde de então, vem fazendo um trabalho de reestruturação, principalmente na questão de pessoal e de contratos.

Sobre os funcionários, explicou que estes concursados, de funções específicas que só poderiam ser aproveitados no Matadouro, foram chamados pela intervenção judicial trabalhista, que administrou a Empresa por 180 dias, de agosto de 2018 a fevereiro de 2019. “A intervenção convocou esses servidores e depois de um mês os afastou dos cargos”, disse, se referindo ao fechamento do Mafir que ocorreu por que um laudo de engenheiros de Segurança do Trabalho apontou vários problemas na estrutura da unidade. “Os funcionários ficaram em casa apenas recebendo seus salários”, afirmou.

No intuito de resolver este problema, várias soluções foram pensadas, mas a única que não acarretaria problemas para a Empresa era a demissão do pessoal que ainda estavam no regime de estágio probatório.

Sobre o fechamento do Mafir, o presidente foi categórico em afirmar que o governador Antônio Denarium não teve nenhuma interferência nesta decisão. “Quem fechou o Mafir foi a intervenção Judicial Trabalhista”, comentou.

A situação financeira da CODESAIMA foi exposta aos deputados. Respondendo a questionamentos do deputado Coronel Chagas, Anastase disse que a despesa geral da Empresa em 2018 foi de R$ 38 milhões e o gasto com salários R$ 9 milhões. “No ano passado a folha era de R$ 1,5 milhão mensal. Baixamos este valor para R$ 650/mês.

Chagas quis saber o impacto nas despesas se os funcionários demitidos retornassem ao trabalho. “Seria o total de R$ 950 mil”, respondeu. Um acréscimo de R$ 300 mil nas despesas.

A CODESAIMA tem atualmente uma dívida de cerca de R$170 milhões. Os parlamentares queriam saber sobre a viabilidade do Mafir, sendo que este era o principal gerador de receita da Empresa.

O presidente contou que um engenheiro calculou que o custo total de abate de um boi era de R$2.000,00, quando o valor de mercado do animal não chega a R$1.500,00.  

Neste cenário, o Matadouro vinha cada vez mais se tornando deficitário. O que concordou a deputada Aurelina quando ressaltou que abater bois não deveria mais ser uma função do Estado e sim da iniciativa privada.

Além do mais, Anastase lembrou que o Mafir está penhorado para pagar uma dívida com a Eletrobrás, o que afasta a possibilidade de haver qualquer tipo de investimento naquele local.

O deputado Renan Filho argumentou sobre notícias de que haveria retirada de equipamentos do Mafir. O presidente afirmou que nenhum material é retirado do Matadouro e combinou com os parlamentares a fazerem uma visita à unidade para verificar esta situação. 

As alternativas para a CODESAIMA voltar a ser produtiva foi uma das questões levantadas. O presidente disse que há situações reais que podem fazer a Empresa voltar a crescer. Sobre sua dívida a Companhia está se organizando para poder receber um resíduo do FGTS para contratos habitacionais que cobririam todas estas pendências. Também há as 29 áreas para exploração mineral que estão no nome da CODESAIMA e são intransferíveis. Resta a legislação definir a regulamentação desta atividade, uma vez que estas áreas estão situadas em reservas indígenas.